Com Saúde
A expectativa de vida vem crescendo
em todo o mundo. No Brasil, na década de 60, essa marca era de 62 anos; hoje,
ultrapassa os 71. Mas como viver bem durante a velhice? Preparando-se desde a
juventude!
As atitudes que tomamos ao longo da vida
se refletem na chamada terceira idade e os hábitos saudáveis mostrarão seus
frutos nessa fase, podendo transformá-la na melhor idade.
Mas nunca é tarde para começar a
cuidar do corpo e da mente. Os exercícios físicos adequados mantêm o organismo
ativo e ajudam a prevenir doenças. E a atividade intelectual funciona como uma
fisioterapia mental, como define João Toniolo, geriatra do Hospital Israelita
Albert Einstein (HIAE). “Ler um bom livro, uma revista e até conversar com
amigos ajudam a manter viva a troca de experiências com o mundo, resultando em
cérebro exercitado e memória afiada”, afirma o médico.
DESAFIOS: doenças crônicas e quedas
Com mais anos pela frente, cresce
também o número de doenças crônicas. Por isso, a Geriatria mudou seu foco, centrando-se
no tratamento desses males e, assim, oferecendo mais qualidade de vida. “As
pessoas com mais de 65 anos têm de três a cinco doenças acompanhando seu
processo de envelhecimento”, afirma Clineu de Mello Almada Filho, geriatra do
HIAE. Se essas doenças estiverem controladas e medicadas não afetarão de forma
significativa a qualidade de vida.
O que está em jogo, nessa fase da
vida, é a autonomia da pessoa. Por isso mesmo os especialistas alertam que o
principal problema na terceira idade não é a doença crônica, mas as sequelas
que pode deixar quando não tratada adequadamente. “O que está em jogo, nessa
fase da vida, é a autonomia da pessoa”, define o dr. Almada. Em casos de AVC,
por exemplo, o paciente pode perder totalmente a capacidade de andar, de falar
e até de comer.
Outro fator de risco são as quedas,
em decorrência da osteoporose – diminuição da densidade do osso –, uma doença
frequente entre os idosos e que aumenta o risco de fraturas. “A fratura de
fêmur tem um impacto muito grande sobre a saúde e qualidade de vida. A
mortalidade é alta, chegando a 50% em até 6 meses depois do acidente”, informa
o dr. Almada.
A receita da prevenção
A medicina hoje privilegia a
prevenção, que começa cedo. “A abordagem médica mudou não só para os idosos.
Agora, desde a infância, a idéia é cuidar da saúde como um todo e não apenas da
doença apresentada num determinado momento”, defende o dr. Toniolo.
Na terceira idade, prevenir
significa investir no seguinte tripé: checkup, atividades física e intelectual.
Checkup
A partir dos 45 anos, homens e
mulheres devem realizar ao menos um checkup anual. Esse controle periódico serve
para diagnósticos precoces e controle de doenças crônicas. “Nessa fase da vida,
mais que em qualquer outra, a prevenção faz toda a diferença”, sublinha José
Antônio Maluf de Carvalho, responsável pelo Centro de Medicina Preventiva do
HIAE.
Atividades físicas
Além de melhorarem a condição
cardiovascular, fortalecem a musculatura – o que previne fraturas, em casos das
temidas quedas. “A melhor atividade para os idosos é a caminhada, feita quatro
vezes por semana, durante 30 minutos diários que podem ser divididos em três
caminhadas de 10 minutos”, afirma Maurício Wajngarten, cardiologista do HIAE.
O médico lembra que, além dos
parques, outro lugar pode favorecer as caminhadas e a socialização: os
shoppings. “Lá os idosos encontram terreno regular, temperatura adequada e
podem fazer amizades, o que incentiva a prática contínua”, completa.
Atividade intelectual
Um dos problemas mais comuns entre
os idosos é a depressão. “Os mais velhos começam a ter resistência a novos
projetos, perdem a capacidade de se relacionar com as outras gerações e, assim,
vão perdendo a vontade de viver”, explica o dr. Almada.
Televisão e pijama, portanto, não
são opções para quem quer envelhecer bem. É hora de fazer cursos, ler, debater,
colocar a cabeça para funcionar. Isso é que mantém o bom humor, abre a
possibilidade de cultivar amizades e estar atualizado, para sentir-se
participante do mundo.
